segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Meu boa noite é seu...

Ela acorda bem cedo, com cuidado e na ponta do pé vai até a cozinha preparar nosso café da manhã. Café e torrada; chocolate quente com canela e goiabinhas. Ela caminha vestindo minha cueca,  chama a duquesa e me acorda com beijos sabor paixão. Alguns anos juntos, o sorriso ainda forma covinhas que fazem-a fechar os olhos antes mesmo de me beijar. Dia após dia um amor leve que incrivelmente cresce, que inexplicavelmente nasceu e desde então se tornou tudo o que sempre sonhei ter, mas jamais vivi. 

Ela gosta de artic monkeys enquanto aproveita nossa preguiça, pois costumamos emendar o domingo inteiro na cama, fazendo amor e inventando qualquer desculpa para nos mantermos presos ali, na liberdade de nos termos nos abraços e afagos.

...E a rotina gostosa faz o amor crescer e nos tornar cada vez mais um só. São quase seis da tarde em um doce domingo de junho, você lê um livro em paz enquanto nossa bulldog descansa na varanda. Trabalho da sala e te namoro em silêncio, sempre cuidando da sua paz e, num silencioso momento, lá está você, mexendo aos poucos o balanço, confundindo seu cheiro maravilhoso meio as orquídeas e copos de leites milimetricamente cuidadas por você. 

A noite chegou, te vejo dormir. Meu boa noite é seu...!

domingo, 7 de agosto de 2016

Dias atrás...

...são novas sensações e incríveis descobertas. O laço é criado e aos poucos somos um só, como de costume, novos planos e amores são rotineiros e surpreendidos por nos termos em uma única certeza: somos um.

Estou feliz por ser um criminoso e roubar-te para mim, pois sem você nada seria possível. Gemidos e elogios ofegantes pé do ouvido não fariam sentido, pois de fato não existiria felicidade, pois tudo entre nós cresce e nos faz cada vez mais completos. Um mundo só nosso e de mais ninguém. 

Dias atrás, dois namorados; eu e você. Dias atrás, meia luz e nossos corpos se confundem enquanto as unhas são cravadas nas costas e os suspiros por conta do amor que fazemos, pelas besteiras pessoais ditas ao possuir meu corpo e fazer com que eu seja dono do seu. Gemidos e puxões de cabelo, meu peito está marcado com sua boca enquanto estamos prontos para nos entregar. Você está ali, fazendo aparecer covinhas enquanto sorri e gemendo enquanto me beija, segura forte minha mão e faz com que todo meu amor transborde em seu corpo doce e límpido. Mais uma noite em que fizemos amor, mais uma noite em que tive certeza que és a mulher da minha vida.

Banhos e risadas, toalha nas costas enquanto estamos secos e prontos para voltar ao nosso leito. Velas que afloram nosso cheiro, minha cama é um convite para que você me deixe tomar seu corpo em todo cuidado do mundo, massageando-a e te fazendo minha mulher.

...dias atrás, fizemos amor pela manhã, mas mais uma vez você incrivelmente dormiu com a cabeça no meu peito. Você é estranha, mas é minha...

terça-feira, 26 de julho de 2016

Sobre o dia de hoje...

...um cigarro após transarmos e discutirmos próximos à janela. Discussões que tomam o curso do rio, entre costas e quedas apenas alagam e transbordam tudo o que já tivemos e fora realmente bom. Dias complicados, se arrastam com sorrisos distantes e olhares desviados. O abraço é frio, as verdades esquivam sob as paredes, dissipam no ar. Somos livres, mas estamos presos e isso nos faz mal, por isso você partiu.

Se esvai, deixou a calcinha por aqui e o cheiro do seu corpo no meu. Partiu, há tempos não sei sobre você, mas sei que seu caminho brilha, és jovem e sorri; e como vive um momento diferente do meu fez bem em partir, volte quando quiser, afinal, ser livre sempre nos fez estarmos juntos e fazermos amor como se não houvesse amanhã. 

Tempos difíceis e novamente estou sozinho, aliás, sempre que estou só o pensamento vai de encontro ao seu e isso faz com que eu beba mais umas doses. 

Foda-se o dia de hoje...

domingo, 10 de julho de 2016

Sobre uma dessas noites ...

Meia dose de whisky numa noite chuvosa. O interfone toca, o porteiro anuncia o seu nome e de repente o cheiro do seu perfume invade meu apartamento. Risadas na varada enquanto falamos sobre a vida e os beijos são trocados. 


Tatuagens se confundem e suas mãos estão entrelaçadas as minhas. Noite difícil, você reclama sobre a vida e agradece por minha porta sempre estar aberta. Elogios sobre meu estilo de vida e por favor, nos poupe de discussões. 

Uma taça de vinho pra você, scarpim postos próximo à mesa de centro, corpos encaixados e nus no sofá. Meia luz atravessa a cortina e sobre seus óculos sinuosos você sussurra meu nome pedindo para eu esteja ainda mais dentro de você, pois nossos corpos se tornam um. Arranhões e gemidos, várias horas de amor, tudo realmente incrível nessa noite. Já são três ou quatro horas de um novo dia, você não precisa ir embora agora, mas caso queira ir por favor, encoste a porta ao sair.

Boa noite...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Desça mais uma dose, seu filho da puta

Eu estava puto com minha vida, bebendo no meu bar de sempre. Que se dane os corretos, desça mais uma dose seu filho da puta. 

Ela chegou, que papo idiota, há quatro ou cinco anos atrás eu daria atenção, mas falei para ela encher o saco de outro, eu estava bem, pois estou acostumado a ser sozinho. 

...terça-feira qualquer, perdi uma grana por aí, precisava beber e escutar um blues. Desça mais uma dose, filho da puta! A maldita estava lá, eu sabia quem era pelas tatuagens na mão e o batom forte nos lábios. - Desça duas, amo você! 

...desculpas aceitas, três horas escutando sermões, apartamentos próximos e dias ininterruptos de paixão selvagem, arranhões e gemidos gostosos. Nos temos meia luz ao nascer do sol. Calcinha no chão, pêlo do cóccix arrepiado; marcas de batom por aí, vinho no meu tapete branco. 

Meses longínquos, mais uma vez no mesmo bar. Filho da puta, desça mais uma. Há tempos não a vejo, partiu sem se despedir, cumpriu o que tratamos, mas é foda, eu prolongaria com certeza mais alguns encontros. 

- é por isso que só passo o pano no balcão, seu filho da puta. - indagou meu garçom favorito. 

domingo, 12 de junho de 2016

Há tempos ...

...há tempos sem me apaixonar, sem sentir o coração acelerar nos encontros ou nas mãos esquecidas uma sobre as outras em nossas despedidas. Seu nome soa como um blues, um café quente pela manhã depois de uma noite mal dormida ou até mesmo um bom filme numa noite fria e chuvosa de um domingo qualquer. 

Ela simplesmente esquece que não sabe dançar, ela não se importa com os rótulos e simplesmente se permite. Ela usa preto, rosa e qualquer cor, ela simplesmente faz nascer verão em dias turvos e sem cor. Ela é o jardim da primavera frente a solidão noturna das ruas de São Paulo. Merda, há tempos não me apaixonava. Não sei lidar, sou péssimo com relacionamentos, sempre acabo fazendo uma besteira e me afastando, mas UAU, com essa mulher é diferente...

São nove horas de um dia qualquer, meu telefone toca e ela quer me ver. Desde as três horas desse dia ou anteriores a esse, eu já quis, como se precisasse de uma desculpa para vê-la sorrir ao fechar os olhos e ter seus lábios encostados aos meus.

Merda, não sei se dessa vez conseguirei fugir. Na verdade, não quero, pois amo me perder no labirinto de seu olhar...


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Sobre uma carta perdida

Você resolveu partir e não lembro de ter chorado, perdi duas ou três noites de sono, é verdade, mas não lembro de ter implorado sua permanência. Continuei bebendo e fumando, a máquina de escrever permaneceu em movimento, assim como os lençóis foram trocados e seus quadros doados para instituições de caridades. 

Alguns livros ainda permanecem na estante, bem como suas calcinhas guardadas em algumas gavetas, mas não às tenho como troféus, muito pelo contrário, apenas as mantenho por aqui para lembranças. Sim, às vezes penso em nós dois juntos, no café horrível que você mal preparava pela manhã, ou a torrada queimada numa margarina qualquer, normal, adorava a forma desajeitada qual se fazia prestativa por mim.

Ah, algumas plantas morreram e o violão está desafinado, porém a vitrola está com a agulha afinada sempre a tocar meus blues tão detestáveis por ti, mas não te culpo, sei que sou estranho. Quis te escrever, talvez a carta não chegue por não saber seu endereço correto, mas senti falta do seu cabelo loiro sob meu peito, e, às vezes escuto sua risada por aqui, loucura demais, pois sempre estou embriagado.

Com amor, seu misterioso amante.