segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Depois que ela se foi...

Ela é o motivo do meu espelho quebrado e da falta de lâmpada no corredor que atravessa meu apartamento. Na verdade, depois que ela foi embora o pó está sob os móveis e a cortina ainda não foi colocada. Sim, minha vida se tornou uma bagunça, tampouco consigo baixar a tampa do vaso sanitário. Por ora, a única coisa que está cheia em casa é o bar, esse mantenho com fervor, pois todos os dias...todos os dias malditos que se arrastam sem fim (pois além de tudo perdi o emprego), me embriago de solidão, desespero e silêncio. 

Chorei por amor, não imaginei que esse dia chegaria, mas chorei como se não houvesse amanhã, pois lembro do dia em que ela se pôs para fora do meu apartamento, quiça de minha vida. Por obséquio, ela chorava por não conseguir conter meus anseios egoístas, pois ao mesmo tempo em que baixei o valor do vinho, eu encareci o preço da rolha. É como se fosse inóspito e indesejado, é como se ao mesmo tempo em que tivera um reino, eu pusera o mesmo à leilão. Não sei, diversão barata, ou simplesmente pela noite me convidar para dançar sem pensar em absolutamente nada; sem pensar nos planos ou em relacionamentos sérios. 

Talvez eu não esteja pronto para viver a vida conjunta, mas também não está fácil me acostumar com a vida solitária de outrora.

Para bem falar a verdade, eu preciso beber alguma coisa...

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Enquanto ela ia embora...

Quisera amar, como se não houvesse amanhã ou perdesse o chão, o tempo e as palavras. Na verdade, temo o fim solitário, logo após os 30 anos vagando por entre abraços e olhares dispersos, temo pela solidão, mas não sofro calado, nunca estou sóbrio, então jogo aos ventos essa preocupação. 

Todos meus amigos já casaram, alguns são pais. Sim, algumas ex namoradas também já casaram, há tempos não sei como é esquecer o nome de todas outras e pensar em uma só, tratar com exclusividade as mãos em meu peito num domingo de manhã, ou quem sabe atrasar o expediente no escritório em uma segunda-feira. Maldita solidão, maldito são os meus dias que se arrastam sem encontrar você. Porra, quem seria você!? Tempos atrás encontrei alguém, na verdade, encontrei a mulher da minha vida: cabelos vermelhos, olhares que sorriam, pontas dos pés em meu apartamento gelado no inverno, batom vermelho e fotografias. Maldita, trouxe até o gato aqui para casa, não reclamei, mas ela sabia que do meu ódio pelos felinos, foi um teste.

Tempos atrás prometi para mim mesmo que mudaria, pararia de fumar e beber, praticaria mais esportes e cuidaria da minha alimentação. Menti, sou bom nisso! Não estou acostumado com isso, rejeito quaisquer pensamento atrativo que tema em minhas reflexões controvérsias.

Há tempos sozinho, mas ainda lembro de te ver sair com os saltos na mão para não fazer barulho. Maldita, não deixou nenhum bilhete, e eu mais uma vez fiquei sozinho, não sou o tipo de cara que sai correndo atrás, porém foi sacanagem ter levado meu livro favorito.

Maldita seja...

domingo, 5 de outubro de 2014

Ainda sobre despedidas...



Eu optei por viver essa vida desgraçada. Entre amores vis e infelizes, resolvi partilhar o melhor de cada momento e rumei solidão afora, nunca julguei ninguém, nem tampouco pedistes para uma ou duas mulheres ficarem mais de uma noite por aqui, por mais que tenhas desejado por ter inclusive esperado mudar, porém se mostraram fúteis, talvez eu não tenha sorte e tenha procurado de forma errada o nascer do sol com algumas meretrizes. Infelizmente não consigo ser hipócrita, o caminho da porta é o mais conhecido e indicado para todas as mulheres que depois transam comigo, incrivelmente sei quais serão as que voltaram para meu apartamento e estarão em meus braços.

Talvez eu não saiba amar, elas choram e sofrem, algumas não merecem, me culpo. Paciência, não vou lutar para melhorar, mas posso fingir que amo, me culpo menos mentindo assim do que abandonando.

Hoje sou apenas despedidas, nunca chego para ficar, sequer fico onde estou, a saudade toma conta de mim e hoje não costumo mais dar certezas, sou apenas interrogações.






domingo, 28 de setembro de 2014

Por nós dois...

Hoje estou bem, sei a cor dos seus olhos ao acordar, sei que o aroma de café que atravessa nosso apartamento vem das margens do Rio São Francisco, que sempre com todo o cuidado você vai comprar, sei que aos poucos você se torna cada vez mais moradora do meu coração, aliás, há tempos não sentia tamanha emoção. Por incrível que pareça, você foi a melhor escolha que fiz, digo da vida, não só em questões relacionadas a relacionamento. Ela tem o cheiro da manhã nas mãos, e o cuidado que nunca houverá em ninguém, enquanto trabalho faz cafuné e silêncio, deita nua no sofá para me estigar, impossível resistir.

Nossas histórias são trocadas como sussurros em nossos ouvidos e cada vez mais nos perdemos em labirintos tão nossos que não desejamos partidas, nem tampouco salvações, é excelente estar perdido contigo, eu não preciso me encontrar, pois já encontrei você.

Apenas tu sabes como permanecer bela em plena segunda-feira, e eu reparo nos detalhes que fazes para me agradar, pois você migrou para o meu corpo e quando puder perceber já era tarde demais. Tu eras o que nunca fostes, e quando me envolve, permaneço estático, pois também hoje sou alguém que nunca sequer imaginei ser.

Tudo por você, pois a cada segundo que se passa e você não está ao meu lado, é cada segundo de vazio que perfura o meu coração, e cá entre nós, no começo eu até fingi não me importar, mas de repente nós dois já éramos um só, e para bem falar a verdade...quando me perdi foi que encontrei você.

domingo, 21 de setembro de 2014

Depois do seu Adeus



Estive ausente, há tempos sinto que aos poucos perco meus amores. Culpei Deus por isso, sempre vou ao bar e sento no mesmo lugar, o garçom já sabe o que trazer, raras vezes ele me questiona sobre eu esperar alguém ou não. Eu digo que não, porém sempre esperei você voltar, culpo Deus por isso também. 

Várias doses enquanto bebo sob meia luz, pensamentos vão de encontro ao nosso ninho de prazer, suas pernas entrelaçando as minhas, espasmos finais, éramos frizz, arrepios do cóccix até a medula, nua em pelo enquanto meu corpo não pedia licença para te possuir. As minhas mãos conheciam o caminho, sem pressa para atalhos, o suor do seu corpo na minha boca enquanto você gritava e gemia palavras que nunca mais serão ditas por ninguém. Tola, você deveria ser minha mulher, aliás, você foi a única que realmente amei, talvez tenha sido por isso que aos poucos perdi meus amores. 

Hoje me conformo, coloquei minha vida em órbita novamente, exceto pela bebida, essa eu não faço a mínima questão de me livrar, porém é foda imaginar que talvez você esteja feliz por aí. Enfim, superada essa guerra pessoal em um infinito particular, permaneço incólume, por mais que seja supérfluo dizer isso.

Tentei seguir um roteiro para amar, porém esqueci que o amor não é escrito.

Foda-se, permaneço bêbado como de costume...


N/A: Mais um texto que leva uma foto dos meus amigos da All Contrast, acessem o facebook e curtam a página dos caras, pois eles mandam bem demais!  https://www.facebook.com/AllContrast?fref=ts

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Maldita sejas...

Se soubesse que meu coração sangraria tamanha pujança, se eu realmente soubesse que jamais nasceria sol, não deixaria você partir, presa em minhas mãos se esvaiu por entre os dedos. Ah, Thereza, por onde andas que já não sei mais quem és!? Partistes e levastes o meu encanto, malditos olhos negros como a noite, incríveis cabelos longos e cheirosos nos abraços perdidos na rua escura atrás da faculdade. Amor vadio, talvez, mas era o amor que sempre sonhei. Eu era vagabundo, sentava no fundo da sala, eu sempre estava bêbado, bêbado de amor por Thereza...ela vinha rindo, jogando seu charme para todos. Malditos, ela era só minha; Puta que pariu, detesto lembrar destas cenas. Sonhos de valsa enquanto conversávamos sobre a vida, eram duas ou três horas da manhã, perdíamos o espaço, perdíamos o tempo necessário para alcançar os mais simples objetivos da vida, nossa principal meta era amar. Maldita Thereza!

Os lamentos que tenho são os mesmos de um coração partido; não dei valor e fora embora aos outros braços, és feliz pelo que sei da boca de terceiros, malditos também, me entristecem ao lembrar desta maldita história, deixe-a viver, façamos com que eu viva também, mundo hostil e inóspito, já não habitas mais.

Maldita Thereza, que sejas feliz, amei sem precedentes, como se fosse um epílogo em minha vida, mas partiu sem sequer deixar um bilhete, só me restaram saudades.

Estou sóbrio desde então, por isso tenho vivido infeliz. Maldita Thereza!


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Sobriedade inquieta...

Estou sóbrio há alguns dias, perfaço meus planos e metas, aos poucos tenho alcançado meus objetivos. Okay, nem tão sóbrio assim, sou uma farsa em relacionamentos, por isso tenho algumas válvulas de escapes, mas não deixo de pensar em como seria se você estivesse ao meu lado, fique tranquila, você será lembrada. Talvez você tenha sido o relacionamento mais perfeito que eu não tivera, te amei calado e distante, minhas linhas são falhas e tortuosas, amar calado...não sei o que isso significa.

Pressenti você voltando ao meu apartamento, algumas noites resolvi não trancar a porta, fumei dois becks antes de dormir e logo o final de semana se acabou. Mais uma vez, sóbrio há algumas semanas, tenho caminhado calado em busca do meu melhor, há dias não para de chover, tenho saído às 22 horas do escritório. Sim, você detestava o meu trabalho, hoje detesto sozinho. Aliás, de todo o tempo que perdi ao ter-te ao meu lado, eu só me arrependo dos livros que você levou embora, dos discos que não estão mais aqui, meu sorriso não era feliz contigo, nunca sequer consegui ser feliz com alguém, por isso não te culpo, por isso não sei definir o amor que acreditei sentir. Às vezes penso que não tenha sido amor.

Mais becks e cafés, a insônia persiste em me acompanhar, essa sim, fiel e sombria, sempre calada, pois o silêncio persiste em fazer um barulho ensurdecedor em minha mente.

Ah...já foram tantas pelas quais já sofri e já fizera sofrer, Martinho que cante, pois ainda não me acostumei a viver assim.

Estou sóbrio há alguns dias, isso precisa terminar...